terça-feira, 12 de maio de 2015

Bioquímica dos Rituais Indígenas: Pintura Corporal

Olá, gente boa! Hoje vamos começar a tratar do nosso tema dessa semana fazendo uma perguntinha simples: o que te caracteriza?

Pensou? 

Melhor pensar outra vez.

Ok, sem mais. Nossa roupa, a forma como andamos, falamos, gesticulamos, todas essas coisas nos caracterizam de alguma forma. Cortes de cabelo, maquiagens, adereços... Pinturas corporais também! Dependendo do momento de vida em que estamos, as coisas que usamos para nos marcar dizem muito sobre quem somos e o que fazemos em um determinado momento (leia-se, por exemplo, a nossa blusa do curso, hehehe).

Mas voltando a atenção, e buscando relacionar esse tema de identificação com a bioquímica, e mais do que isso, com os índios, hoje trataremos de pinturas corporais. Já falamos de alucinógenos, de curare, e de tantas outras coisas interessantes que dizem respeito a rituais indígenas. Seguindo na mesma linha de raciocínio, trazemos para a discussão as tinturas indígenas. Fala a verdade: quando te pedem pra pensar em um índio, e desenhá-lo, provavelmente você o faria com marcações no corpo, não é?

http://arteindigenaa.blogspot.com.br/2009/10/pintura-corporal-indigena.html

(recomendo que acessem, caso tenham interesse, o blog: http://blog-do-netuno.blogspot.com.br/2010/09/pinturas-indigenas-e-seus-significados.html )

"Nas sociedades indígenas, até hoje, a pintura corporal tem grande importância e seu significado é muito amplo, podendo ir da simples expressão de beleza e erotismo à indicação de preparação para a guerra, ou, até mesmo, como uma das formas de aplacar a ira dos demônios. Além de protegerem o corpo dos raios solares e das picadas de insetos, a ornamentação corporal é como se fosse uma segunda "pele" do indivíduo: a social em substituição à biológica. O padrão da pintura e sua localização no corpo revela o "status" de seu detentor na sociedade. (...)

(...) Pero Vaz de Caminha, em sua famosa carta do rei D. Manoel I, já falava de uns 'pequenos ouriços que os índios traziam nas mãos e da nudeza colorida das índias. Traziam alguns deles ouriços verdes, de árvores, que na cor, quase queriam parecer de castanheiros; apenas que eram mais e mais pequenos. E os mesmos eram cheios de grãos vermelhos, que, esmagados entre os dedos, faziam tintura muito vermelha, da que eles andavam tintos; e quando mais se molhavam, mais vermelhos ficavam'".

Esses ouriços nada mais eram do que a bixácea - Bixa orellana - conhecida como urucu, palavra de origem tupi que significa vermelho. A tintura dos indígenas era feira com as sementes, cujo principal corante é o norcarotenoide bixina, o primeiro cis-polieno a ser reconhecido na natureza. As sementes são raladas em peneiras finas e fervidas em água  para formar uma pasta, com a qual são feitas bolas que são envolvidas em folhas, e guardadas durant todo o ano para as cerimônias de tatuagem.

O outro corante muito usado pelos indígenas era obtido da seiva do fruto do jenipapo. As tatuagens de cores pretas, feitas com essa rubiácea, cujo nome botânico é Genipa americana, deve-se ao iridóide conhecido como genipina. Incolor em si, este iridoide produz cor preta após reagir com as proteínas da pele.



Fica a dica então, pra vocês: como ocorre a reação dos corantes com a pele? eEque características da fórmula dessas substâncias são responsáveis pela sua duração prolongada na pele?

Abraços, e até a próxima!

Referência: disponível em http://www.i-flora.iq.ufrj.br/hist_interessantes/corantes.pdf

3 comentários:

  1. Parabéns pelo post. Pesquisando sobre o urucum descobri que além do corante extraído pelos índios existe inúmeros benéficos do seu uso como alimento, que incluem o fornecimento de vitaminas, tratamento de problemas estomacais, vermes e hemorroida. Este fruto é rico em cálcio, fósforo, ferro, aminoácidos, e nas vitaminas B2, B3, A e C. Contém cianidina, os ácidos elágico e salicílico, saponinas e taninos, fitoquímicos que ajudam a prevenir e tratar doenças.

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  2. Olá galera! A cultura indígena mais uma vez mostrando sua riqueza!
    O urucum em si possui em enorme variedade de aplicações. Estudos mostraram inclusive os benefícios da inclusão de resíduos da semente de urucum na dieta para frangos de corte. Em um dos estudos, o rendimento de sobrecoxa foi otimizado com a inclusão de 9,9% do resíduo na ração. Considerando-se os resultados de desempenho, recomenda-se a inclusão de até 5% de RSU na ração de frangos de corte. Isso porque o resíduo da semente de urucum apresentou 12,12% de proteína e 2.233 kcal de energia metabolizável aparente corrigida pelo balanço de nitrogênio.
    Até a próxima!

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  3. GRUPO E

    Excelente post! Vale a pena ressaltar a substância genipina(1R,4aS,7aS)-1-hidroxi-7-(hidroximetil)-1,4a,5,7a-tetra-hidroxi-clopenta[c]piran-4-carboxilato de metila possui fórmula molecular C11H14O5 – 226,08 g.mol-1. Pesquisas especulam que essa substância atua naturalmente como defesa química do Jenipapo contra fungos e bactérias, logo é usada em pesquisas farmacológicas para o seu uso antimicrobiano.

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