terça-feira, 28 de abril de 2015

Bioquímica dos Rituais Indígenas: Tucandeira.



              Olá pessoal!! Como estão? Como foi a semana de vocês? Estão preparados para uma leitura “dolorosa”? Bom, hoje vamos falar do ritual da Tucandeira.
         O ritual da Tucandeira é uma prática comum da tribo Sateré-mawéé oferecido pelo Tatu-Grande, Sahu-Wato, o que valoriza as relações com a terra e com a sexualidade. As formigas tucandeiras ou tocandiras (Dinoponera), medindo entre 2,2cm a 2,5cm, provocam ferroadas dolorosas, e são usadas nesses rituais. O cantor (wepyhat) é também o dirigente do ritual. Na noite da véspera, as formigas são colocadas em recipiente com folhas do cajueiro, o que as faz adormecerem. No dia seguinte, são retiradas do recipiente e colocadas, com o abdome e o ferrão na parte interna e a cabeça de fora, na luva de fibras com elementos que simbolizam animais. Ao acordarem esses insetos se tornam agressivos, mexendo continuamente os ferrões. De acordo com o mito, as formigas estão relacionadas aos pelos pubianos da sedutora mulher-cobra existente no reino subterrâneo, e foram trazidas ao mundo sateré-mawé pelo Tatu-Grande. Na construção mítica, a luva adornada de penas representa a vagina e os pelos pubianos da mulher-cobra.
            A iniciação masculina se completa quando o jovem, em meio a danças e cantos e com os braços pintados com tinta preta do jenipapo, enfia a mão na luva e assim permanece por alguns minutos. Calçar a luva simboliza o contato sexual com a mulher-cobra, o que previne o rapaz contra doenças e o qualifica para os importantes papéis sociais masculinos (Kapfhammer, 2004). Como prova de força e resistência, os homens se submetem ao Ritual da Tucandeira ao menos vinte vezes durante a vida adulta.

          O veneno das formigas Dinoponera é constituído de complexos de moléculas orgânicas, proteínas, peptídeos, lipídeos, aminas vasoativas (norepinefrina, histamina e dopamina) e algumas enzimas, como fosfolipases, hialuronidases e fosfatases. O veneno e importante também por desencadear reações alérgicas em humanos e por apresentar aplicações terapêuticas.
         Esse veneno desempenha importante papel na defesa da colônia e possui um potencial terapêutico de grande valor, particularmente em estudos de reumatismo e artrite. Algumas substâncias também têm sido amplamente utilizadas em pesquisas básicas sobre propriedades das membranas biológicas naturais e sintéticas e no entendimento de mecanismos anti-inflamatórios.
            Um estudo feito por Haddad Junior e colaboradores (2005) relataram os aspectos clínicos de um paciente que sofreu picada de Dinoponera, observando edema, eritema e dor excruciante. A evolução do envenenamento levou a fenômenos sistêmicos imediatos como: sudorese fria, náuseas, vômitos, mal estar, taquicardia e linfadenopatia. Após três horas, a dor intensa persistia e a vítima apresentou um episódio de hematoquesia. O uso de medicamentos analgésicos, água quente e gelo não melhorou a dor, que somente diminuiu após oito horas, tendo permanecido por cerca de 24 horas.
        Nesse estudo, ainda, os eventos fisiopatológicos após o envenenamento por picada de Dinoponera foram amplamente investigados. Constatou-se que os componentes do veneno do inseto podem ter efeitos tóxicos diretos ou podem provocar sensibilização e depois resultar em reações alérgicas à picada subsequente. Em adição a sinal específico e sintomas diretamente relacionados aos componentes do veneno, os indivíduos uma síndrome de resposta inflamatória sistêmica. Os componentes dos venenos induzem a produção de citocinas pró-inflamatórias e dano tecidual. Citocinas inibitórias, que exercem efeitos negativos sobre as células ou inibe a síntese e a função de outras citocinas também têm sido descritas em resposta à rede celular.
           Isto no mostra mais uma vez o quanto a bioquímica está enraizada em nossas vidas. E aí, o que acharam? Conta pra gente... Até a próxima!!

REFERÊNCIAS
BOTELHO, João Bosco; WEIGEL, Valéria Augusta C.M.. Comunidade sateré-mawé Y'Apyrehyt: ritual e saúde na periferia urbana de Manaus. Hist. cienc. saude-Manguinhos,  Rio de Janeiro ,  v. 18, n. 3, p. 723-744, Set.  2011 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702011000300007&lng=en&nrm=iso>. Acesso em  28  Abr.  2015.
Haddad Junior, V., Cardoso, JLC., Moraes, RHP., 2005. Description of an injury in a human caused by a false tocandria with a revision on folkloric, pharmacological and clinical aspects of the giants ants of the genera Paraponera and Dinoponera. Rev. Inst. Med. Trop. 47, 235-238.

KAPFHAMMER, Wolfgang De 'sateré puro' (Sateré sese) ao 'novo sateré' (Sateré pakup): mitopráxis no movimento evangélico entre os Sateré-mawé. In: Wright, Robin (Org.). Transformando os deuses: igrejas evangélicas, pentecostais e neopentecostais entre os povos indígenas no Brasil. Campinas: Editora da Unicamp. p.101-140. 2004.
SANTANA, Flávia Assumpção. Imunogenicidade do veneno de Dinoponera australis (Hymenoptera, Formicidae, Ponerinae). 2008. 78 f. Tese (Doutorado)-Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2008.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Bioquímica dos Rituais Indígenas: Canabinóides

Olá pessoal! Como estão?!

Que tal fazermos uma leve retrospectiva do que já vimos aqui no blog: em nossa primeira publicação, falamos do veneno das flechas, do curare, e na última publicação o assunto foi ayahuasca e seus efeitos alucinógenos.

Nessa semana, algumas datas importantes fizeram a nossa publicação ter um "algo mais". Primeiramente, estamos na Semana do Índio (19/04, marco da realização do 1º Congresso Indigenista Interamericano - http://www.museudoindio.gov.br/educativo/pesquisa-escolar/253-o-dia-19-de-abril-e-o-dia-do-indio) e por fim, nessa semana nós, da Turma 01 MED PHB, tivemos a primeira aula de Farmacologia, com o professor Elias. Em nossa aula, foram apresentadas algumas noções introdutórias dessa área, e pudemos enfim pensar em substâncias com potencial terapêutico, que suprissem necessidades do organismo, buscando restabelecer equilíbrio. E isso tudo tem MUITO a ver com o tema do nosso post de hoje, em que vamos falar sobre canabinóides, substancias psicoativas presentes na Maconha/Cannabis (Opa, Maconha? Potencial terapêutico? Como assim?).

A Canabis Sativa é original da Ásia, da qual também é extraído o haxixe e o kif. E citada no Velho Testamento, cantada e louvada por Salomão, que a chamava de kálamo (cânhamo). No Brasil era utilizada pelos escravos africanos que conheciam suas propriedades. Sabe-se que ela é de uso de muitas tribos por lá, mas principalmente os pigmeus e zulus povos de Angola, Moçambique, Congo, etc., que a utilizavam ritualisticamente como uma "planta sagrada". (*a)

Sabe-se que os índios brasileiros também usam, principalmente na região de Maranhão e Sergipe. Era muito difundida entre negros e caboclos que a chamavam também de fumo-de-caboclo. (*a)

Era utilizada para fins terapêuticos na China, como anestésico; também por africanos e asiáticos para aliviar tosses, dores de cabeça e cólica menstruais. Alguns pesquisadores afirmam que ela é eficiente em casos de anorexia, glaucoma, enxaqueca, hipertensão, asma e ataques cardíacos. Utilizada também pela medicina Ayurveda (*a). Aqui nós podemos observar claramente a ligação entre o uso de uma planta/substância por indígenas (na semana do Índio, rs) e seu potencial terapêutico, testado cientificamente (na semana da primeira aula de Farmacologia). Isso tudo é muito legal, e tal, mas o que nos importa são os mecanismos bioquímicos pelos quais a Cannabis causa efeito. Então, vamos começar.

Os principais canabinóides são o delta-9-tetraidrocanabinol (chamado comumente de THC) e o tetraidrocanabivarin (THCV), porém ele aparece apenas em minúsculas quantidades.

Maconha cura

Adicionalmente, existem outros compostos presentes na Cannabis que não oferecem qualquer efeito psicoativo, porém são necessários para a funcionalidade do THC. São o Canabidiol (CBD, um isômero do THC), Canabinol (CBN, um produto resultante da oxidação do THC), Canabivarin (CBV, um equivalente do CBN), Canabidivarin (CBDV, um equivalente do CBD), e o ácido canabidiólico. No entanto, a forma como essas substâncias interagem com o THC ainda não foi totalmente esclarecida. (*b)

A maconha com uma maior proporção THC/CBD tem menor risco de causar ansiedade do que a maconha com menor taxa entre THC/CBD. (*b)

Em 1990, a descoberta dos receptores canabinóides localizados no cérebro e no corpo, juntamente com a descoberta de neurotransmissores canabinóides endógenos (fabricados pelo corpo) tais como a anadamida (Produzida pelo cérebro humano e descoberta em 1992, a anandamida – também conhecida como “substância da felicidade” – pode ter efeitos analgésicos, ansiolíticos e antidepressivos, semelhantes aos do THC, componente da espécie vegetal cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha - https://www.ufmg.br/online/arquivos/016047.shtml ), sugeriu que o uso da cannabis afeta o cérebro da mesma maneira que as reações químicas naturais que ocorrem nele.  Os receptores canabinóides diminuem a atividade da enzima adenilato ciclase, inibe os canais N de cálcio, e desinibe os canais A dos íons de potássio. Existem dois tipos de receptores canabinóides (CB1 e CB2). (*b)

Cigarros Indios, Cannabis Indica
Em: https://www.pinterest.com/pin/215821007118579021/

O receptor CB1 é encontrado primariamente no cérebro e controla os efeitos psicológicos do THC. O receptor CB2 é mais abundantemente encontrado nas celúlas do sistema imunológico. Canabinóides agem como imunomoduladores nos receptores CB2, significando que eles aumentam algumas respostas imunológicas e diminuem outras. Por exemplo, os canabonóides não-psicotrópicos podem ser usados como um potente antinflamatório. A afinidade dos canabinóides para se vincularem aos receptores é a mesma, com uma pequena exceção observada com o CBD derivado de plantas, que se vincula com os receptores CB2 com mais frequência. Os canabinóides provavelmente possuem um papel no controle do movimento e da memória no cérebro, além da modulação natural da dor. Está claro que os canabinóides podem afetar o mecanismo de transmissão da dor e, especificamente, estes canabinóides interagem com o sistema endógeno opióide do cérebro e podem afetar a transmissão de dopamina. Isso é uma importante descoberta psicológica que poderá ajudar muito os meios de tratamento médico da dor. (*b)

Em 2007 verificou-se que o fumo do tabaco e da cannabis são um tanto similares, com o fumo da cannabis contendo maiores quantidades de amônia, cianeto de hidrogênio (acido cianídrico) e óxidos de nitrogênio, porém menores níveis dos cancerígenos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs). O estudo encontrou que o fumo direto da cannabis contem 20 vezes mais amônia e 5 vezes mais cianeto de hidrogênio do que o fumo do tabaco, avaliando a fumaça da queima direta (apenas utilizando fogo) e em um container (com invólucro: papel de seda e similares). Constatou-se que a fumaça da cannabis com invólucro contém maiores concentrações de HAPs do que a fumaça do tabaco também com invólucro. (*b) (clique no link para acessar um resuminho sobre gases tóxicos: http://www.quimica.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=242)


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Então, minha gente, eis o post! Conhecemos melhor algumas substâncias importantes da Cannabis, utilizada por índios há tempos, sua fórmula, efeitos... Gostaram? Estamos aceitando sugestões de temas, hein?! Comente, não deixe de acompanhar o nosso blog. J J

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A bioquímica dos rituais indígenas - Chá da Ayhuasca

      Oi pessoas!!! Como estão? Como foi a semana de vocês? Todos prontos para embarcar em mais uma viagem através da bioquímica dos rituais indígenas? Hoje vamos conhecer mais sobre um curioso chá muito utilizado pelos indígenas, o chá da Ayuasca. Então... vamos lá?
     O chá da Ayuasca vem sendo usado a milhares de anos pelos índios da América do Sul. Tal chá representa um símbolo espiritual e ritual para aqueles que o utilizam. Mas o que chama a atenção, em relação à bioquímica, a respeito desse costume são os efeitos alucinógenos que a sua ingestão de traz a quem o consome. Mas qual a substância traz esse efeito?

http://www.ayahuascadreams.com/portugues/efeitos_processos.html
       A resposta para essa pergunta se encontra na composição das ervas que são usadas na preparação do chá, são elas: o cipó Banisteriopsis caapi e as folhas do arbusto Psycotria viridis. Sendo que, as principais substâncias de caráter alucinógeno existentes na primeira são: alcalóides ß-carbolinas inibidoras da MAO (Monoaminoxidase); e na segunda são: N-dimetiltriptamina (DMT) que age sobre os receptores da serotonina.
     Para se entender o mecanismo de ação dos alcaloides encontrados nesse chá se faz necessário entendermos o metabolismo da serotonina. A serotonina é encontrada em abundância nos diversos tecidos animais, como por exemplo: no sangue (plaquetas); no trato gastrointestinal; no cérebro. O cérebro, como sempre, chamando muita atenção, pois lá estão presentes os neurônios serotoninérgicos que estão envolvidos em diversas funções, como o sono, humor, regulação da temperatura, percepção da dor, e regulação da pressão arterial. Além disso, eles podem estar envolvidos em condições patológicas, tais como: depressão, ansiedade e enxaqueca. A serotonina é metabolizada pela MAO em 5-hidroxin-dolacetaldeído. Essa distribuição diversificada da substância, ao final do processo, causa aumento da secreção e da motilidade desses órgãos e tecidos.
      O DMT é um alucinógeno, que tem ação muito parecida com a da serotonina. No entanto, quando administrado via oral, é inativado através da desaminação sofrida pela ação da enzima MAO intestinal e hepática.
       Outras substâncias que têm propriedades alucinógenas são as ß-carbolinas. Elas são inibidoras da MAO, com isso, inibem a desaminação intestinal do DMT, possibilitando a chegada deste ao cérebro, mesmo por via oral. Além disso, elas ainda aumentam os níveis de serotonina, dopamina, norepinefrina e epinefina no cérebro. Os efeitos sedativos primários de altas doses de ß-carbolinas são resultantes do bloqueio da desaminação da serotonina.

    A ação da bebida se deve, portanto, à interação das ß-carbolinas com o DMT presentes nas plantas, que juntas potencializam as propriedades alucinógenas de ambas isoladas, levando-se em consideração que as ß-cartolinas aumentem as concentrações de DMT.
       E aí pessoal? O que acharam? Conta aí... Até a próxima ;) 

Fonte: http://urutu.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol32/n6/310.html

segunda-feira, 6 de abril de 2015

A bioquímica dos rituais indígenas - Veneno das Flechas.

Olá, pessoal!

Hoje, faremos a primeira parte de nossa viagem rumo a Bioquímica aplicada na cultura indígena. Vamos juntos!

     A princípio, caro leitor, você pode se questionar se realmente uma coisa (a bioquímica) tem mesmo a ver com outra (os índios). Essa reflexão é comum quando não paramos para pensar bem nas possíveis associações entre dois campos que, aparentemente, à primeira vista, tem pouca ou nenhuma relação. Mas é bem aí que está o engano! Ora, a Bioquímica é a ciência que fala da vida sob uma lógica molecular, sem distinções: onde há vida, há bioquímica, não é? Então, ao falarmos de gente, por mais que nós não percebamos de forma imediata, estamos falando de seres cuja base para a manutenção das funções vitais depende de relações entre moléculas diversas, que formam determinadas substâncias, que apresentam funções especiais, como armazenamento de energia, transporte de informações, formação de estruturas rígidas (ou não), apropriadas para cada aplicação...
       Mas sim, falemos dos índios.
    Os índios, assim como todas as pessoas, apresentam uma variedade de processos bioquímicos que sustentam a vida, e também aprenderam a extrair da natureza diversas substancias cuja utilidade é bem definida. E isso é muito interessante: no caso do Brasil, por exemplo, no ano de 1500, marco histórico da chegada dos Portugueses ao nosso território, os indígenas já tinham relativo controle sobre o meio ambiente, numa relação respeitosa e sustentável. Esse domínio inclui também o conhecimento, por exemplo, de propriedades de plantas como Pau Brasil, Seringueira, Andiroba, Ayahuasca, Bubiri, Copaíba, Crotão, Cumaniol, Jaborandi, Jararaca, Jenipapo, Quebra-pedra, Sapo-tricolor e Jararaca-ilhoa, http://www.jardimdeflores.com.br/ecologia/a35curare.htm
     E essas propriedades foram fundamentais ao permitirem a continuidade do legado dos povos tradicionais, com a manutenção de sua vida e cultura, mesmo que a maioria dos índios não conheça a Ciência como nós, acadêmicos, em 2015, conhecemos.
   Assim, esse blog é também uma homenagem àqueles que são parte essencial na formação de uma identidade brasileira.
     Seguindo, dentre essas matérias primas vegetais citadas logo acima, hoje nós vamos falar de uma bastante útil para os povos indígenas: o Curare.
     A medicina moderna não seria a mesma sem o curare. Veneno de flechas usado pelos índios da Amazônia, para paralisar a caça ou matar seus inimigos, a tubocurarina, substância ativa do curare, e atualmente seus derivados, fazem parte dos principais anestésicos em uso clínico produzidos pelas empresas farmacêuticas multinacionais. 
http://www.comciencia.br/reportagens/amazonia/amaz22.htm
http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/219428/mod_resource/content/1/Alcaloides-AGO2014.pdf


     A tubocurarina é uma substancia alcaloide, nitrogenada, de origem vegetal, que possui ação farmacológica. A maioria das substancias desse tipo possui caráter alcalino, e é encontrada nas angiospermas.  http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/219428/mod_resource/content/1/Alcaloides-AGO2014.pdf
     O curare normalmente é preparado a partir de folhas do gênero Strychnos, que contêm alcaloides que inibem as placas neuromotoras dos músculos estriados esqueléticos e são encontradas nas florestas tropicais da América do sul.
    Essa inibição ocorre nos receptores nicotínicos de acetilcolina, pois a curarina e a tubocurarina, se ligam a esses receptores, competindo com a ACh, mas sem o efeito de abrir canais iônicos que esse neurotransmissor causaria. Assim, os impulsos nervosos não são transmitidos por não haver entrada de íons Na na célula muscular, fazendo com que não haja despolarização da membrana pós-sináptica, necessária para a contração. Desse modo, os músculos ficam paralisados, inclusive os que atuam na respiração, o que leva à morte por asfixia. A morte pode ser evitada por meio da realização de respiração artificial na vítima. Para que haja essa paralisia, o veneno precisa entrar diretamente na corrente sanguínea. Isso permite que seja usado para caça, pois a ingestão da carne do animal afetado pelo curare não causa envenenamento.  http://neuromed95.blogspot.com.br/2012_05_01_archive.html
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    Então, essa foi a nossa primeira publicação. Falamos um pouquinho da bioquímica na vida e cultura indígena, aplicada especialmente nos venenos de flechas, super necessários para indivíduos e tribos caçadoras (e coletoras, mas essa é uma outra história).

       E ai, gostou? O que achou? Curioso? Interessante? Conta pra gente!